quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Da arte de interpretar 1
Pra interpretar é preciso ter olhos e ouvidos atentos e todos os outros sentidos ampliados, aguçados. Não dormir, não cochilar, sequer pestanejar... "É preciso estar atento e forte"! Estabelecer uma conexão com os outros atores em cena, ouvi-los, vê-los e sentir-lhes a presença. E independente do sentimento com relação ao outro, tê-lo próximo, perceber o ritmo e tomar o espiral ascendente que vai desaguar como onda sobre a platéia.
sexta-feira, 6 de novembro de 2009
Do que ando ouvindo...
"Eu até posso morrer, mas minha esperança não morre é nunca!"
Hamilton Gabriel, meu pai, 82 anos.
Joana D'

Em breve, na sala do coro do Teatro Castro Alves, JOANA D' de autoria de Cleise Mendes e encenação de Elisa Mendes. No espetáculo faço "La Hire", um capitão, ex-mercenário, que submete-se ao comando de Joana.
Chamado assim, A Ira, pelo seu caráter explosivo, La Hire é explosivo e boca suja, bruto e acostumado as guerras. Inimigo mortal dos ingleses, é absolutamente fiel à missão de Joana D'Arc.
Na foto do ensaio, feita por Patrícia Carmo, La Hire e o Jovem soldado, interpretado por Jefferson Oliveira.
domingo, 1 de novembro de 2009
De longe
Eu parti e nunca mais voltei. Fui dar umas voltas no outro lado de lá, na Terra do Nunca, na Groelândia, num desses lugares distantes, desses que imaginamos existir, mas que na realidade não existem não, embora a geografia afirme e a ficção confirme.
Um dia vou voltar, cheio de flores na boca e nuvens na cabeça. Nos olhos trarei um pedaço do céu de lá, as mãos cheias de sementes novas de flores antigas e meus passos serão pisados no chão da estrada nova. Encontrarei os novos amigos e beijarei suas bocas frescas, os antigos saudarei com meus braços em volta dos seus corpos, sufocando a saudade que senti.
sexta-feira, 30 de outubro de 2009
Há quarenta e oito anos (escrevo por extenso prá não perder a dimensão de tamanho e tempo. rs) estou aqui!
Há quarenta e oito anos desejo, quero, pego, renego, amo, odeio, traio, dispenso e guardo; Admito, nego, professo, contesto, falo, xingo, grito, surssuro e calo; Sorvo, bebo, chupo, engulo, vomito, cozinho, asso e como; Ando, pulo, danço, valso, saltito e corro; Compro, pago, empresto, roubo, alugo e dou; Exclamo, interrogo, pontuo e vírgulo!
Há quarenta e oito anos respiro, suspiro e espirro!
Há quarenta e oito anos sou filho, irmão, tio, parente e aderente!
Há quarenta e oito anos sou amigo e inimigo, conhecido, indiferente, anônimo e celebridade!
Há quarenta e oito anos sou ator, diretor, professor!
Há quarenta e oito anos saio por aí, vageio na cidade, tateio no escuro, enxergo na escuridão, ofusco no sol, voo no vento, seco na sombra, cozinho em fogo brando; Giro no roda, dou murro em ponta de faca, mergulho nos abismos, bato em pedra dura, construo muro, ergo catedrais, engulo pedra, confundo arroz doce com beiço de mula, dou tiro no próprio pé.
Há quarenta e oito anos.... Nesse tempo meus olhos azularam, nevou em meus cabelos, rios secos em minha cara. Amigos se foram e outros chegaram. Outros nunca partiram. Perdi coisas, ganhei outras. Amei muito quem hoje eu não amaria. E hoje amo quem eu mereço.
Há quarenta e oito anos sou!!
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Besouro

Ontem estive no lançamento de Besouro o filme de João Daniel Tikhomiroff.
Revi amigos queridos que fiz durante as filmagens, três meses no interior da Bahia. Que sensação é aquela de assistir o filme conhecendo seus segredos? Deve ser o milagre da edição, penso eu! Estavamos lá, todos nós, impressos na tela, pra sempre no filme... E pensar que daqui há vinte anos podemos ver-nos de novo com frescor de coisa recém colhida??!! Estranha sensação!!
Desculpe-me os veteranos, mas esse novato aqui ficou absolutamente encantado com a mágica da tecnologia. E o desejo de fazer mais, de aprender aquele troço de malucos: as viagens, a urgência da luz, a longa espera... O filme? Verei de novo, e de novo... mas aviso que não sou crítico ou especialista na sétima arte. Sou amante daquilo lá. E isso me perdoa o gosto.
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